★★★★★ ♥
O filme imperfeito mais perfeito do mundo; o meu filme favorito de toda a vida. Vi a versão dublada dessa vez, e numa cena específica, que é uma das mais assustadoras, o nível cai e muito na versão dublada; a cena é quando Ash arrasta Linda para fora da cabana enquanto ela se contorce toda, sendo arrastada pela escada e em seguida pelas folhas caídas no chão, onde lá fora reina a escuridão e uma sutil névoa; a iluminação foca apenas nos corpos de Ash e de Linda que grita palavras com sua voz tenebrosa e rasgada, numa cena medonha digna de um filme de exorcismo.
Raimi trabalha muito bem na hora de posicionar a sua câmera, é como se cada cena ou movimento fosse muito bem pensado: a serra ligada ao lado da lampada, os pés de Ash passando por cima da cova com o corpo de Linda ao fundo e uma cruz de madeira, o carro avistado pela janela onde a névoa se movimenta como se fosse um ser maligno. Outra coisa que chama atenção é a qualidade da coloração do sangue, muito vibrante em um filme onde tudo é escuro e de tons marrom, e o sangue se destaca de uma forma que parece até real; pegue pinturas de Caravaggio, por exemplo, e veja como cenas de EVIL DEAD se enquadram como uma obra de arte sombria, um exemplo é a cena em que Ash e Scotty carregam um corpo mutilado, dentro dum lençol branco vazando sangue, com o vermelho se destacando.
Esse sim é um filme que sabe usar jumpscares; pode colocar o filme pra uma pessoa que nunca viu e observe, pelo menos uns 10 sustos ela vai tomar, porque Raimi sabe como fazer isso e não usa de trilha sonora que acusa que um susto está pra acontecer. Raimi ainda abre espaço pra brincar de casa mal-assombrada, com portas que abrem sozinhas, paredes que derramam sangue, vitrola que toca música por conta própria e espelhos que se transformam em poças da água. Campbell brilha pouco no início do filme, parece até que Scotty será o protagonista, e no fim, Campbell dá um show de interpretação de um sujeito à beira da loucura, assustado e com garra, lutando por sua vida até quando tudo parece estar apodrecendo sem chances de sobreviver.
Arte quando bem feita não enjoa, a cada ano, amadurecimento ou um nível maior de conhecimento, faz com que uma revisão, seja no cinema, literatura, música ou pintura, entregue algo único, onde cada vez você presta atenção em detalhes que antes não notava.
*Dica: Within The Wood (1978)